04/02/2009

SUPER ESQUECIDOS (1)


Capa do Elektron nº 1, publicado pela Ebal em 1967

As HQs possuem uma legião de super-heróis e vilões que flerta com o sucesso, do papel ao cinema, da internet à tv. Mas há também uma legião de esquecidos. São os super-heróis e vilões que não vingaram a não ser na cabeça de alguns admiradores ou colecionadores. Hoje falo de um (Elektron); mais adiante, outros.

Ele é o menor dos super-heróis. Mede pouco mais de 10 cm. Possui um complexo equipamento de pesos e medidas que, quando põe para funcionar, ele pode pesar desde 1 grama até uma tonelada. Pode ficar invisível a olho nu.

Sua identidade secreta vive na pele do pesquisador científico Ray Palmer, da Universidade de Ivy City, no interior dos EUA (uma típica cidade norte americana). Tem uma namorada, a advogada Jean Loring, que ele vive pedindo em casamento.


Página do Elektron nº 2, publicado pela Ebal em 1967

Como vive num mundo rodeado de ciência, um de seus melhores amigos é Prof. Alfen V. Hyatt, uma mistura do Professor Pardal, da Disney, com o presidente do Banco Central do Brasil - ambos vivem fora da realidade.
Seus principais inimigos são a Quadrilhas dos Panteras, Crono, o Bandido do Tempo, o Diabólico, alguns bandidos pé-de- chinelo e outros babacas.

O Elektron tem um apelido horrível na época e hoje: Titanzinho – é de doer!!!!


Fragmento de pagina interna do Elektron, nº4, publicado em 1967.

Um das características legais do personagem (mas não original) é que ele usa a Piscina do Tempo para descobrir coisas do passado – dos EUA, é lógico. Tem aventuras com Benjamim Franklin, Abraham Lincoln e até com o navegador Hudson, que “descobriu” a baía de Nova Iorque.

Bem, se vivesse hoje, quem sabe o Elektron voltasse no tempo a tempo de contar o peso de alguns votos na segunda eleição do Bush... Ou se guiasse melhor o sapato que o jornalista iraquiano jogou pro ex-presidente americano....

Le Wartan
(Walter Salton Vieira é Jornalista e colaborador da Bossa Nova HQ)

Nota: Eléktron


Desenho animado do elektron da decada de 60

26/01/2009

E VIVA O QUADRINHO NACIONAL!



Não foi coincidência a gente lançar este blog em janeiro. Afinal, no dia 30 deste mês comemoramos o Dia Nacional dos Quadrinhos!

O primeiro personagem brasileiro foi o Nhó Quim, desenhado pelo ítalo-brasileiro Ângelo Agostini. Ele aparece na Revista Ilustrada por volta de 1869. Era uma historinha que mostrava como um caloteiro fugia do seu sádico credor na cidade do Rio de Janeiro, uma típica comédia de costumes.
Mas a primeira revistinha só apareceria em 11 de outubro de 1905 - a famosa O Tico Tico.

Portanto, há mais de um século a HQ nacional sobrevive, entre crises, mudanças de moedas, golpes de estado, ditaduras e breves períodos de democracia.

Seria injusto colocar os nomes dos artistas que fazem e fizeram esta história continuar. Entretanto, um merece uma homenagem especial: Carlos Zéfiro, codinome do funcionário público Alcides Caminha. De 1950 a 1970, ele desenhou as mais incríveis HQ pornô, em preto e branco (Domadas pelo Sexo, Lúcia, a Pecadora, A Virgem Esperta e Boas Entradas). Elas faziam os garotos e alguns grandões na saudável prática onanista!!!

Viva Zéfiro!!!


Le Wartan
(Walter Salton Vieira é Jornalista e colaborador da Bossa Nova HQ)

16/01/2009

VER COM OUTROS OLHOS


Quando perguntam a você qual a primeira imagem que representa as HQ, provavelmente, a resposta seja a luta dos super-heróis contra os vilões (Batman X Duas Caras). Algumas pessoas podem responder que é o humor da Turma da Mônica ou as aventuras do Tio Patinhas. Mas pouquíssimos vão dizer crítica social e política de Quino (da Mafalda) ou da turma do agreste do genial Henfil.

Eis um dos mistérios das HQ. É uma literatura que reflete o consciente e o inconsciente dos leitores – e também mesmo daqueles que não têm consciência....

Falo disso porque me lembrei de um livro de Ariel Dorfmann, pensador chileno que escreveu, na década de 70, “Para Ler o Pato Donald”. Ele mostra como a simbologia dos personagens de Walt Disney, em especial o Tio Patinhas, está carregado do “imperialismo americano”.

Sua análise sobre o uso de personagens disneydianos é para ler, entender e ver as HQ deste criador fantástico e “ditador capitalista” com outros olhos. A linguagem pode ser chata ou anacrônica, mas o raciocínio, brilhante.


Le Wartan
(Walter Salton Vieira é Jornalista e colaborador da Bossa Nova HQ)

09/01/2009

EU E ELAS



As histórias em quadrinhos me acompanham desde que nasci.
E com elas pude viver aventuras fora do meu quarto de dormir.
Hoje, tenho mais 500 revistas, algumas pintadas pela minha infância, outras rasgadas pela minha ignorância e muitas delas ainda releio para beber a fonte da juventude.

Frescuras à parte, as HQs me ajudaram a ver um mundo diferente na faculdade (ECA/USP). Meu primeiro trabalho nela foi sobre elas na aula de Biblioteconomia. Quem me alertou sobre isso foi –e continua sendo –meu amigo Pinho, que parece até personagem de HQ. A ele, presto a minha homenagem nesta coluna de estréia – sem acento, pessoal!

Neste blog, vou comentar curiosidades das HQs que vocês saberão aos poucos. Coisas das antigas, de colecionador até a década de 60. Espero vocês nesta viagem pelo tempo, como o Flash Gordon.

Ah!Uma dica de leitura. Procurem o livro Shazam, escrito pelo prof. Álvaro Moya – é da década de 70. Foi um dos primeiros livros que analisa como as HQ como devem vistas: como Arte!

Le Wartan
(Walter Salton Vieira é Jornalista e colaborador da Bossa Nova HQ)